domingo, 24 de março de 2013

SENHOR MORTO


Senhor Morto na arte de Nivaldo Oliveira

Senhor Morto medindo 16x6 policromado e folheado a ouro no pelisonho (veste), com pescoço retorcido para o lado direito mostrando assim a sua dor. Caixa em madeira de demolição  medindo 30x12x8 de com pés e cabeceira entalhados e dourados com porta de vidro mostrando assim a expressão através da escultura e da talha.
A Igreja Católica tradicionalmente realiza a procissão de Nosso Senhor morto na Sexta-Feira Santa.









Senhor Morto
Sou um assíduo leitor do Blog do Crato. Ultimamente, apesar do amigo Dihelson Mendonça pedir a compreensão dos autores no sentido de evitarem postagens de cunho religioso, os autores, estão se esmarando no sentido de mostrar a sua capacidade de fé, que já tem lugar garantido no céu. Diante de tamanha demonstração de formação religiosa, eu transcrevo um texto intitulado "Senhor Morto" da autoria do Dr. Mozart Cardoso de Alencar, medico, escritor, poeta e um dos homens mais cultos que esta região conheceu. Segue o texto do Mozart:"Quinta-feira maior, em Juazeiro do Norte. O poeta corre a igreja da padroeira, Nossa Senhora das Dores, para ouvir famoso orador sacro. Em meio a pregação, revolta-se com inúmeras beatas que, sacudindo as sacolas, despertavam os fieis com o tilintar das moedas, e, aquela cantilena já bem conhecida: "Esmolinha pro Santíssimo!? E mais indignado ficou quando, ao sair, presenciou aquela outra cena: O Senhor Morto exposto no santuário de vidro, tendo ao lado, uma bandeja, para qual apontava alguém, dizendo: Depositem suas esmolas aqui!. Diante do grotesco da cena, o poeta retirou-se da igreja, e ao chegar em casa expandiu sua revolta neste Soneto:

.Revivendo a tragédia do calvário,
A imagem do cadáver de Jesus,
Deitado em meio a Nave, sem a cruz,
É exposto no seu vitrio Santuário.
.
Na coroa de espinhos, no sudário,
Nas cinco chagas, resplandece a Luz,
E, crente, a cristandade, ali, conduz,
As oblatas sublimes do Rosário.
.
Mas, profanando aquele vulto santo,
A clerical bandeja aberta a um canto,
Avilta a grata tradição do Horto!.
.
Um sacrílego Judas O vendeu
Há dois mil anos, vivo, a um fariseu,
E outros Judas, agora, O vendem morto!.
.
Dr. Mozart Cardoso de Alencar.


http://blogdosanharol.blogspot.com.br/2010/02/senhor-morto.html


Um comentário:

  1. erundino prado júnior24 de março de 2013 18:58

    Realmene Nivaldo Oliveira é um talentoso e um Grande Artista...

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